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A  polêmica da brasileira que se recusou a fornecer informações em inglês a um estrangeiro, mesmo sabendo falar a língua, durante as olimpíadas (Matéria da Exame “Brasileira se recusa a ajudar gringo no Rio e vira meme”) merece uma reflexão e esta não pode ser feita senão através da lógica que deve levar em consideração o Brasil num contexto global.

 

 

Rodrigo Solano

rsolano@thinkglobal.com.br

 

 

Cada país fala um ou mais idiomas que são soberanos dentro de suas fronteiras. Na prática, a lógica econômica de comércio e serviços, porém, nem sempre respeita esta soberania, mesmo porque seria difícil falarmos todas as línguas oficiais do mundo. E, levando em consideração esta prática em exercício, a resposta para a pergunta levantada no título é simplesmente “não”. Eis aqui algumas justificativas:

 

 

Inglês é a língua mais global

Não há dúvidas, o português é uma língua de extrema importância. É a terceira língua mais falada no ocidente e a mais falada no hemisfério sul em número de falantes. Além disto, é uma língua que tem o seu charme latino, pelo menos segundo inúmeros estrangeiros que conheci em viagens internacionais. “Soa como uma mistura de francês com espanhol” disse uma senhora que me abordou num hotel em Nova York. “É português que está falando? Por favor, continue e deixe-me escutar. É lindo!” disse uma moça num evento em Dubai.

Não obstante, a primeira língua falada no ocidente é o inglês. Além disto, é a língua mais falada como idioma auxiliar, ou seja, é a que mais se estuda. O mundo usa mais inglês que qualquer outra língua para comunicação internacional. Desta maneira, em ambientes em que não se entende o idioma local, o inglês é normalmente usado como “coringa”.

 

Quem manda é o Cliente

Não restam dúvidas, quando queremos vender algo, o cliente deve ser conquistado. Mas o que isto tem a ver com o título? Quando alguém visita o Brasil, seja para passear ou para fazer negócios, está fazendo turismo.  Dentro do pacote que a pessoa está comprando neste serviço estão as atrações locais, o atendimento, o bem-estar, a simpatia dos nativos e quem se beneficia com isto é o país anfitrião.

 

Neste caso, somos todos direta ou indiretamente beneficiários, fabricantes e vendedores deste importante produto que são a impressão e as memórias que o visitante levará consigo. Fazer um esforço para se comunicar bem com ele com um sorrisão no rosto pode fazer toda a diferença. Dentro desta mesma lógica, diversas redes norte-americanas contratavam vendedores que falavam português para atender o grande número de brasileiros quando viajávamos aos montes para lá na época em que o Real estava valorizado. Curiosamente os Estados Unidos não possuem um idioma oficial.

 

Devemos por de lado nossos possíveis complexos –

Parte dos brasileiros parece estar sempre a olhar para os mais ricos e mais poderosos ao mesmo tempo que se compara e se sente inferior. Exigir que um estrangeiro fale português quando está no Brasil parece querer dizer algo do tipo “No país dele eu tenho que me virar para falar a língua dele, esta é minha vez de descontar já que ele está aqui e minha língua não é importante como a dele”. Pode ser um certo complexo a ser resolvido em outra circunstância, mas não com um turista durante sua visita. Muitos brasileiros tentam esconder o este possível complexo exaltando seu orgulho de ser brasileiro quando o país se mostra grandioso em alguns eventos ou ocasiões como as Olimpíadas.

 

O país é o que é e tem mostrado ser grandioso mesmo em tópicos de que nos envergonhamos. Os escândalos políticos que saem na mídia, por exemplo, nos envergonham mas devemos lembrar que em muitos países casos como estes seriam abafados. Podemos citar diversas brasilidades que poderiam fazer parte do nosso orgulho a serem simpaticamente mostradas ao mundo. Não é preciso dizer que somos os melhores nisto ou naquilo. É preciso mostrar de maneira sincera o que temos de bom, e que o estrangeiro também ganhe com isto. 

 

Não à toa, nações simpáticas ao mundo têm ganhado notoriedade. E, com tropeços ou não, quem disse que não temos sido notórios?  A revista Exame, na sua edição de 20/07/2016 publicou uma matéria cujo título era “O Mundo Ainda Quer o Brasil”. E é verdade! Nas minhas andanças desde América até a Ásia quase sempre notei um encantamento pelo Brasil. Não importa se por suas praias, pelo samba ou pelo futebol, o Brasil encanta! E estes ícones podem ser usados como trampolim para mostrarmos muitas outras coisas que o estrangeiro desconhece sobre o Brasil... e para isto, mais uma vez precisamos falar a língua dele.

 

Diante destes três tópicos, antes de pensar em exigir que um estrangeiro fale português quando está aqui, vale um auto coaching: Qual o verdadeiro motivo para exigir isto? O que vou ganhar e perder se não usar inglês para falar com ele (desde que eu tenha o domínio da língua)? Se ele não fala português, como vai conseguir ajuda? Que impressão quero passar de mim mesmo e do Brasil?  ... receber bem um “gringo” é um bom início para promover o país e desenvolver boas práticas de relacionamento! Aliás, este termo “gringo” pode soar um tanto pejorativo ...

 

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